As “novidades”

Nessa primeira corrida do ano tivemos algumas novidades técnicas com relação ao ano passado, que vinham prometendo mudar a cara da F-1 e favorecer as ultrapassagens nesse ano. Mas a volta do KERS, a asa móvel e os novos pneus Pirelli não foram, digamos assim, um grande sucesso.

Das 3 novidades, o KERS, na minha opinião, não fede nem cheira. Serve muito mais pra dizer que a F-1 esta tentando ficar mais “verde”, mais ecológica, mas na prática, vimos que não necessariamente ter o KERS é tão importante assim. A Red Bull passeou em Melbourne sem usar o dito cujo. Esta rolando um boato de que Adrian Newey, mago da Red Bull, teria desenvolvido um mini-KERS, mais leve para ser usado apenas na largada, mas isso não se confirmou na corrida, já que nem nessa hora, Vettel e Webber apertaram o botãozinho. Eu cheguei a fazer uma conta de física bem básica, considerando apenas potência, massa do carro, aceleração e velocidade, para ver se o acréscimo de potência valeria a pena com o acréscimo de peso (afinal o carro pode mais potência, mas se for bem mais pesado a velocidade final de reta pode ser menor), apenas pra avaliar a velocidade final na reta, e a diferença de velocidade da situação com e sem KERS ficou em menos de 10%. A Red Bull provou que essa diferença pode ser tirada na aerodinâmica e no equilíbrio do carro. Se, no futuro, todas as equipes usarem o KERS, meio que dá na mesma, todos estarão em “igualdade” novamente, a questão é saber só a hora de usar.

Já a asa móvel, que eu sempre achei uma idéia ridícula, se mostrou pouco eficiente. Os carros colavam no carro a frente, mas nem sempre conseguiam passar. Aliás, pra mim, o único piloto que realmente aprendeu a usar o novo artifício foi Button, que depois de penar atrás do Massa, usou a asa pra passar o Koba e o Massa de novo. A impressão que ficou é que quando o carro entra na reta muito colado na traseira do carro da frente, ele continua perdendo pressão aerodinâmica, e com isso, a asa não é efetiva. Quando o carro chega um pouco mais “descolado”, com distâncias entre 0,6 a 1 seg. o ar ainda está limpo, e a asa passa a funcionar. Resumindo, a asa funcionaria apenas pra quem não está tão perto. Mas isso ainda é suposição, já que a reta de Melbourne é pequena. Sepang e, principalmente, Xangai serão um teste melhor para a asa.

A asa traseira fechada a esquerda e aberta a direita

Por último, os coloridos pneus Pirelli não apresentaram o desgaste esperado. Ok, Webber e mais alguns fizeram 3 paradas e tal, mas o Sergio Perez, por exemplo, fez uma só. E quanto a diferença de desgaste numa possível briga por posições, a diferença de rendimento entre os 2 pneus só é muito grande em 3 ou 4 voltas, depois o pneu macio começa a perder rendimento também e fica complicado de ultrapassar. Se o carro que vem a frente conseguir defender por algumas poucas voltas, acaba quase “igualando” os pneus. Vamos ver como vai ser na Malásia, onde a situação vai ser completamente diferente da temperatura amena da Austrália. A temperatura ambiente deve beirar os 40°C, e o desgaste deve ser maior. Deve ser uma corrida mais interessante.

Os pneus duros (brancos) ficaram mais dificeis de identificar

 E as cores não funcionaram assim tão bem. Ok, o amarelo não é complicado de ver, mas o branco é. Dirigentes na marca italiana falaram que já estão revendo o conceito das cores, principalmente o branco e o prata. Vamos o que vai acontecer. Acho até interessante tem cores diferentes e tal, mas acho que a melhor maneira de colocar a identificação e como era a da Bridgestone, que, independente da posição que você esteja vendo, dá pra identificar o tipo de pneu. 

Hoje eu vou ficando por aqui. Devo voltar ainda essa semana com alguma novidade ou discussão do mundo da F1.

Boa noite para todos…

Sobre Pedro Horta

Engenheiro Mecânico que dá pitacos sobre F1, mas tb apaixonado por esportes, principalmente futebol, e uma boa cerveja!
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3 respostas a As “novidades”

  1. Cara, sobre essa asa móvel acho que os caras tão indo no caminho errado. Ao invés de ficar brincando com aerodinâmica podiam utilizar regras que forcem os carros a basearem sua aderência mais na mecânica do que na aerodinâmica. Porque assim favorece o cara pegar o vácuo e com o arrasto menor ele ganha velocidade naturalmente sem kers ou asa móvel (tá no vácuo, menos resistência). Daí ele sai e usa a inércia e o peito de retardar a freada pra concluir a manobra.

    Com a aerodinâmica dos carros hoje é complicado fazer isso, é perigoso pegar o vácuo. Pode funcionar se der pra pegar o vácuo, aí quando você sair sai com asa abaixada e tacando o kers. Aí você consegue ultrapassar na reta mesmo.

  2. Bruno diz:

    Como era a diferenciação dos pneus da Bridgestone? Nunca soube diferenciar os pneus.

  3. Petrópolis (Fernando), concordo com vc, o lance seria realmente forçar a aderencia em cima da mecânica, mas esses caras são fodas e sempre dão um jeito de burlar ou inventar algo novo, algo que vá fazer a diferença. Mas eu concordo com você.. Vamos ver esse regulamento de 2013, que deve ser bem diferente…

    E Bruno, ainda não aprendi a botar foto no comentário, mas os pneus macios eram identificados por uma pequena faixa verde na ponta do pneu, como nessa foto do link:

    http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.blogdocapelli.com.br/wp-content/uploads/2009/02/20090211renault.jpg&imgrefurl=http://www.blogdocapelli.com.br/tag/bridgestone/&usg=__Qi4WRhb64dixJkbjoxT1M0hGLDI=&h=263&w=550&sz=52&hl=pt-br&start=47&zoom=1&tbnid=muxxkKFyKWxiYM:&tbnh=89&tbnw=187&ei=SqmTTd–BYTWgQfVopTPCA&prev=/images%3Fq%3Dpneus%2Bbridgestone%2Bmacios%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26sa%3DN%26biw%3D1345%26bih%3D596%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=110&oei=RamTTeSCCMi4twedp8Bm&page=3&ndsp=21&ved=1t:429,r:13,s:47&tx=71&ty=38

    Nesse caso, vc consegue ver se o pneu é macio, mesmo o carro estando “de frente”, algo impossivel para os novos Pirelli…

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